Crystal Beings
Os Crystal Beings são arquétipos recorrentes no universo performativo de Luísa Mota: figuras espelhadas completamente camufladas em fatos de Mylar, que simbolicamente reflectem sobre a invisibilidade social, ao mesmo tempo que canalizam uma presença interior e espiritual que transcende idade, género e contexto. Estes personagens funcionam como vasos rituais — entidades lúdicas e poéticas que abrem espaço para a exploração coletiva de temas como identidade, marginalização, sustentabilidade e transformação.
LIBERDADE INVISÍVEL
Estes seres imersivos representam um espaço paralelo ao físico – algo invisível, intergaláctico, fantasmagórico. Ao longo dos anos, estas personagens têm representado muitos aspectos da exploração existencial – devido à sua essência e corporeidade. Inicialmente, representando a invisibilidade do proletariado e o protesto social, surgiram em grupos em ambientes urbanos. Cobertos da cabeça aos pés com um fato prateado e espelhado (Mylar), caracterizam-se por serem anónimos, silenciosos e pacíficos. Mais recentemente, passaram também a representar a dimensão espiritual do ser – livre de identidade e de corpo.
Os resíduos provenientes dos fatos nunca são desperdiçados. O desperdício não é apenas reutilizado, mas repensado — transformado em algo modular, durável e significativo. Alguns dos artefactos que surgiram deste processo são as Crystal Balls e as Crystal Wands.