Ficções Sociais

As ficções sociais funcionam como quadros especulativos através dos quais as realidades colectivas são refletidas, distorcidas e reimaginadas. Estas ficções não são fantasias escapistas, mas sistemas simbólicos incorporados na experiência vivida — executados, criados e encenados em colaboração com diversas comunidades. Recorrendo a arquétipos, rituais e transformação material, Mota constrói mundos imaginários que metabolizam tensões sociais reais, desde a invisibilidade e colapso ecológico até ao luto, trabalho e feminidade. Através de personagens recorrentes como os Crystal Beings, Widows, 5 Old Ladies e Seagulls, Mota encena realidades alternativas que desafiam as narrativas culturais dominantes. Estas figuras não são simplesmente trajes ou dispositivos teatrais; funcionam como recipientes vivos para questões não resolvidas dentro do corpo social. Elas aparecem em vários contextos — em procissões públicas, oficinas comunitárias, espaços de exposição e intervenções urbanas — sendo cada vez remodeladas por aqueles que as ativam. Em vez de ilustrar a crítica social, as ficções de Mota realizam-na. São participativas, frequentemente modulares, e evoluem através de ciclos iterativos de performance, resíduo material, reconfiguração escultórica e ritual coletivo. Neste processo, a ficção torna-se uma tecnologia social — uma que propõe, testa e ensaia novas formas de estar juntos.