Ao longo de três meses, em 2015, Luísa Mota habitou o Teatro Rivoli e as ruas circundantes do Porto com uma instalação viva composta por personagens míticas e abstratas. O projeto funcionou como um sistema de transformação aberto, inserido num enquadramento baseado em personagens. Elementos da narrativa, baseada em comportamentos, eram improvisados em tempo real. Atraindo convidados, transeuntes e colaboradores para a sua órbita, a obra convidou a um envolvimento íntimo com figuras locais estereotipadas que questionavam sistemas de crenças, estruturas de poder e a própria performance. A identidade foi explorada, não como uma construção fixa, mas como uma constelação de papéis em constante fluxo — tanto pessoais como colectivos. Desenvolvido através da performance, vídeo, fotografia e escultura, 'Tuti Momo' marcou um ponto de viragem significativo em direção a instalações imersivas e duracionais que misturam ficção e realidade social, gerando múltiplos fios conceptuais e personagens, que mais tarde foram expandidos no trabalho de estúdio de Luísa Mota.
À procura de personagens e participantes para o espetáculo, a artista realizou workshops com grupos de pessoas de várias idades e origens, explorando temas como a linguagem corporal, o comportamento e a personificação. Estes workshops fizeram parte do processo criativo da artista para identificar e criar personagens, através dos participantes do projeto.
A Procissão era composta por 47 Crystal Beings, as 5 Old Ladies e a Criança Interior. Teve início no complexo Mota Galiza, no centro do Porto, atravessou depois os jardins do Palácio de Cristal, continuando por ruas e jardins públicos até chegar à Praça D. João IV. Concluída a procissão, os Crystal Beings rasgaram os seus trajes e todo o material desperdiçado foi recolhido e colocado numa vedação improvisada. O desfile serviu de catalisador para todo o projeto no Teatro Municipal Rivoli, que abriu portas naquela mesma tarde.
A partir desse momento, o Monumento Invisível é construído gradualmente ao longo dos dias, começando com cinco esferas manobradas por cinco Crystal Beings. No terceiro dia, estas cinco esferas juntaram-se, dando lugar a uma única forma maior, crescendo ritualmente como uma peça única. O desenrolar do Monumento transformou-se numa performance artística a “olho nu”.
Quem conquista mais almas? Uma experiência participativa sobre o comportamento humano e os arquétipos dominantes da psique local.
Esta etapa envolveu diversos materiais e obras em exibição no átrio do teatro, e contou com quatro apresentações - duas a três vezes por semana. Estas apresentações decorreram não só no átrio do terceiro andar e nos corredores, mas também, por vezes, no exterior do edifício. Todas as semanas, os intérpretes transformavam e trabalhavam na instalação, expandindo-a. O espaço foi transformado num ambiente imersivo onde o público podia interagir e envolver-se com os intérpretes.
| Direção Artística | Luísa Mota |
| Comissionado por | Teatro Municipal do Porto |
| Co-produzido por | Teatro Municipal do Porto |
| Produção | Marlene Alberto |
| Assistente de Produção | Nelson Pereira |
| Documentação | Favo Studio, A Caixa Negra |
| Maquilhagem | Mariana Fonseca |
| Assistentes de Figurino | Sílvia Mota, Cláudia Queirós, João Pedro Fonseca, Abu Baker |