Aurélia

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Em 2023, no âmbito do ciclo De Corpo Presente, inspirado no Autorretrato como Santo António de Aurélia de Souza, a artista Luísa Mota desenvolveu um projeto colaborativo com o Museu Soares dos Reis e com alunos da Escola Secundária Aurélia de Souza. Através de diálogos, jogos, meditações e exercícios de presença, a artista propôs uma imersão no corpo como espaço de encenação de si, memória e transformação, convocando tanto o emocional-cognitivo quanto o tecnológico. 

O processo, que decorreu em cinco sessões de ensaios (workshops), procurou abrir caminhos para um contacto mais profundo com o ‘interior’ — o místico, o familiar, o energético — que constitui e atravessa cada pessoa. A experiência resultou em três momentos performativos distintos no museu, apresentados ao público entre novembro e fevereiro de 2023, no contexto do Primeiro Centenário do desaparecimento de Aurélia de Souza. Após estas apresentações, criaram-se dois outros momentos na Escola Secundária Aurélia de Souza e na residência de Aurélia e Luísa Mota, a Quinta da China.

Com base nos múltiplos ecos da artista homenageada — gestos domésticos, questões políticas, ficções de género e jogos de auto-representação — a performance de Luísa Mota tornou-se num espaço de reativação contemporânea, onde os corpos presentes se juntaram para continuar, em movimento, o vibrante legado de Aurélia.

Etapas

Primeiro Contacto Primeira aparição e workshop surpresa na Escola Secundária Aurélia de Souza. Primeiro contacto dos alunos com a personagem Crystal Being.
Encontros Discussões e encontros, reuniões na escola e no estúdio do artista. Estas reuniões foram gravadas.
Momento I Estudantes como Crystal Beings, limpeza de energia no Museu.
Momento II Segunda apresentação pública no Museu Soares dos Reis, referente ao espaço histórico de Aurélia, com a atuação da família de Luísa Mota e os Crystal Beings.
Momento III Terceira apresentação no Museu Soares dos Reis, com a interpretação da artista Luísa Mota, da sua família e dos Crystal Beings.
Invasão Escolar Crystal Beings na Escola Secundária Aurélia de Souza.
Quinta da China Performance e gravação na Quinta da China, antiga residência da artista Aurélia de Souza.

Tendo o primeiro ato iniciado com os Crystal Beings, para uma limpeza energética do espaço do Museu, o segundo desenvolveu-se de forma íntima, porque a Quinta da China foi o lugar onde Luísa Mota, tal como Aurélia de Sousa, viveu e onde ainda produz o seu trabalho artístico.

Este ato performativo foi um retrato da célebre Quinta através dos atuais residentes, a sua próprias família. A sua mãe, irmãs, filhas e sobrinhas, apresentaram-se aqui como um plateau de linhas cruzadas entre espaço, personalidades, heranças kármicas, e energia do Feminino, criando ligações e espelhamentos entre o agora, o antes e o depois.

Grelha de Constelação Redes energéticas para aceder a emoções não processadas nos campos de energia.
Polaridade Feminina Experiências com encantamentos, invocação da poesia para despertar conteúdos inconscientes.
Trauma Geracional Trauma geracional dos elementos yin, através das linhas de sangue diretas.
Gatilhos Emergir
Invasão Escolar, Escola Secundária Aurélia de Souza (2015)

Cell in my Bone (2008)

Uma obra intuitiva que combina fotografia, escultura e performance. É uma tentativa de exorcizar, a nível celular, os laços kármicos ancestrais diretamente ligados à linhagem das mulheres na família e à experiência transmitida de geração em geração. A performance decorre na casa dos pais da artista, a Quinta da China, no Porto, que foi outrora residência privada da proeminente pintora do Porto, Aurélia de Sousa.